O conceito de paz sofreu mudanças ao longo da história da humanidade. A concepção restrita e negativa de paz, predominante até meados do século XIX, estava relacionanda somente à ausência da guerra ou ainda a uma situação de equilíbrio de poder entre potências bélicas, tendo como fórmula "pax, absentia belli". A partir do século XIX e, principalmente nos séculos XX e XXI, o conceito de paz positiva foi alargado, vinculando-se com a justiça e com a construção da própria paz através da cooperação entre os povos, apresentando a fórmula "pax, opus iustitiae".
Para Johan Galtung (1995) a paz é a identificação e a resolução favorável de fenômenos caracterizados por algum tipo de conflito. Galtung define os dois tipos de paz que citamos acima, distinguindo duas grandes categorias: a paz negativa e a paz positiva. A paz negativa é visível e, segundo ele, é a simples ausência da guerra e de outros conflitos diretos e pessoais; a paz positiva refere-se à violência indireta, estrutural, nem sempre visível. Assim, a paz negativa reside na ausência de guerra enquanto que a paz positiva existe quando há justiça social, harmonia, satisfação das necessidades básicas, autonomia, diálogo, solidariedade, integração e igualdade de direitos e de deveres.
No entanto, a paz negativa como ausência de guerra não cobre todas as violências humanas. Tão letal quanto a guerra está a criminalidade como a que ocorreu em maio e junho de 2006 em São Paulo e em dezembro de 2006 no Rio de Janeiro visando principalmente os transportes públicos. Diferente da violência pessoal provocada por sujeitos humanos, mas não menor em malefícios, há a violência estrutural, gerada por uma estrutura e cujos paradigmas são a miséria (característica das macro-estruturas sociais) e a frustração (característica das macro-estruturas individuais). A conceituação básica dessa violência está na diferença entre realização e potencialidade, ou seja, segundo definição de Galtung: "A violência está presente quando os seres humanos são persuadidos de tal modo que suas realizações efetivas, somáticas e mentais, ficam abaixo de suas realizações potenciais".
A paz positiva obtida pelo combate à miséria e à frustração transforma-se em construção, em atividade e desenvolvimento. No entanto, é na violência estrutural que reside a maior dificuldade para sua identificação, pois muitas vezes ela está camuflada por mecanismos de disfarce e dominação. O grau de visibilidade da violência que nos permite distinguir os diferentes tipos de violência nos é mostrado muitas vezes pela manifestação de descontentamento de grupos sociais contemporâneos, como minorias discriminadas que são antigas ou recentes e que têm sua origem em tradições culturais comuns, em identidade racial e étnica, em crenças religiosas ou em conflitos históricos. Precisamos estar atentos a estas manifestações de visibilidade da violência estrutural para podermos combatê-la de forma mais eficaz.
Dessa forma, de acordo com Jorge Brovetto (2002), o conceito de paz pode ser entendido como "a capacidade de uma sociedade de tornar visível e resolver favoravelmente os tipos de violência nela existentes". Esclarece ainda Brovetto que as "políticas econômicas e sociais que colocam em risco a saúde, educação e emprego de amplos setores da população são também formas de violência, à medida que impedem a plena realização intelectual e física das pessoas".
Das reflexões que foram feitas concluímos que para que a nossa sociedade seja mais justa e pacífica todos temos que contribuir, de forma ativa e consciente no sentido de que os indivíduos tenham satisfeitas as suas necessidades básicas (paz estrutural), busquem conscientemente eliminar a violência direta física e verbal e que cooperem e respeitem toda a forma de vida (paz cultural).
O LEAD SEMIÓTICA procura cumprir o seu papel na construção da paz através do estudo e do desenvolvimento da própria cultura nas quais está inserida a sua equipe, valorizando as suas expressões lingüísticas, artísticas e literárias e oferecendo um espaço de publicidade e visibilidade para a manifestação das heranças culturais e históricas.